Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Doenças neurológicas
 

Definição
Sistema nervoso é o conjunto de órgãos que transmitem a todo o organismo os impulsos necessários aos
movimentos e às diversas funções, e recebem do próprio organismo e do mundo externo as sensações. Os
neurônios são responsáveis pela condução dos impulsos. É formado pelo sistema nervoso central e pelo sistema
nervoso periférico. O sistema nervoso central (SNC) é composto pelo encéfalo (cérebro, cerebelo, ponte e bulbo) e
pela medula espinhal (um feixe nervoso que se projeta pelo interior da coluna vertebral). O sistema nervoso
periférico (SNP) é composto de nervos (cranianos, que partem do encéfalo, e raquidianos, que partem da medula
espinhal) e de gânglios nervosos. Com base na sua estrutura e função, o sistema nervoso periférico pode ainda
subdividir-se em duas partes: o sistema nervoso voluntário, responsável pela contração dos músculos estriados
esqueléticos, e o sistema nervoso autônomo ou vegetativo, responsável pelo controle da musculatura lisa e
cardíaca.O SNP autônomo ou visceral, como o próprio nome diz, funciona independentemente de nossa vontade e
tem por função regular o ambiente interno do corpo, controlando a atividade dos sistemas digestório,
cardiovascular, excretor e endócrino. O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e
sistema nervoso parassimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias (antagônicas). Um
corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do
coração, o sistema parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o
trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses
órgãos.O SNP autônomo simpático, através da adrenalina e da noradrenalina, estimula ações que mobiliza
energia, permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por exemplo, o sistema simpático é
responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da pressão arterial, da concentração de
açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo. Já o SNP autônomo parassimpático, através da
acetilcolina, estimula principalmente atividades relaxantes, como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão
arterial, entre outras.

Acidente vascular cerebral: comprometimento súbito da função cerebral resultante de alterações na irrigação
sanguínea do cérebro, causando lesão celular e danos nas funções neurológicas. As causas mais comuns são os
trombos, o embolismo e a hemorragia. Os dois primeiros causam o acidente vascular isquêmico, que consiste na
oclusão de um vaso sanguíneo interrompendo o fluxo de sangue a uma região específica do cérebro, enquanto que
a hemorragia provoca o acidente vascular hemorrágico, sempre mais grave devido a outros fatores complicadores
como aumento da pressão intracraneana e edema cerebral, os quais provocam alterações nem sempre focais, isto
é, restritas à região do AVC. É considerada como a 2ª causa de morte no mundo e é a principal causa de
incapacidade neurológica.

Aneurisma cerebral: dilatação anormal de uma artéria do cérebro que pode levar à ruptura da mesma no local
enfraquecido pelo alargamento.

Angioma cavernoso: é uma formação anômala, tumoral, de vasos sanguíneos. Pode ocorrer no cérebro, na
medula espinhal e, mais raramente, em outras partes do corpo.

Arterite temporal: processo inflamatório auto-imune que atinge as artérias da região temporal do cérebro e cujo
principal sintoma é uma cefaléia temporal.

Ataxia: perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários; é um termo que cobre uma grande
variedade de desordens neurológicas e, portanto, pode fazer parte do quadro clínico de numerosas doenças do
sistema nervoso. Ela pode afetar os dedos, as mãos, os braços, as pernas, o corpo, a fala ou o movimento dos
olhos.

Cefaleia tensional: dor de cabeça comum, de intensidade ligeira a moderada, que atinge ambos os lados da
cabeça e é geralmente descrita como uma sensação de aperto. Não é pulsátil, não piora com atividade física de
rotina e também não se acompanha de náuseas e nem de vômitos. Não é causada por nenhuma doença
específica.

Cefaleia cervicogênica: cefaleia cuja etiologia está relacionada com algum tipo de alteração cervical: hérnia de
disco, estenose do canal cervical, pinçamento de raízes dos nervos cervicais, contraturas da musculatura cervical
etc.

Ciatalgia: a dor ciática é uma dor persistente e, às vezes, incapacitante que é sentida ao longo do nervo ciático.
Ela geralmente se inicia na região lombar e vai até a parte inferior das pernas. A dor aparece quando este nervo
está acometido por um processo inflamatório, por uma compressão externa decorrente de uma artrite ou pelo
deslocamento do disco intervertebral (hérnia de disco) na coluna lombar.

Comicial: o que diz respeito à epilepsia.

Coréia Huntington: doença degenerativa do sistema nervoso central relativamente rara, que deve seu nome ao
médico americano George Huntington, que a descreveu em 1872, é caracterizada pela presença de movimentos
involuntários, principalmente dos braços, pernas e rosto, falta de coordenação motora e alterações cognitivas. Sua
evolução é progressiva e não ainda existe tratamento específico.

Crise convulsiva: uma convulsão é a resposta a uma descarga elétrica anormal no cérebro. O termo crise
convulsiva descreve várias experiências e comportamentos e não é o mesmo que uma convulsão, embora os
termos sejam às vezes utilizados como sinônimos. Qualquer coisa que irrite o cérebro pode produzir uma crise
convulsiva. Dois terços dos indivíduos que apresentam uma crise convulsiva jamais a apresentam novamente. Um
terço dos indivíduos continuarão a apresentar crises convulsivas recorrentes (condição denominada epilepsia). O
que ocorre exatamente durante uma convulsão depende da parte do cérebro que é afetada pela descarga elétrica
anormal. A descarga elétrica pode envolver uma área mínima do cérebro, fazendo apenas que o indivíduo perceba
um odor ou sabor estranho, ou pode envolver grandes áreas, acarretando uma convulsão (abalos e espasmos
musculares generalizados). Além disso, o indivíduo pode apresentar episódios breves de alteração da consciência
(ausência); pode perder a consciência, o controle muscular ou o controle vesical; e pode apresentar confusão
mental. As convulsões freqüentemente são precedidas por auras – sensações incomuns de odores, sabores ou
visões, ou uma sensação intensa de que uma crise convulsiva está prestes a ser desencadeada. As crises
convulsivas devem ser diferenciadas das crises epiletiformes de etiologia histérica.

Disritmia cerebral: alteração no ritmo das ondas elétricas cerebrais, freqüentemente associado a estados
epilépticos. A epilepsia é uma disritmia cerebral paraxísitca.

Demência: transtorno mental orgânico adquirido, com perda de habilidades intelectuais, de severidade suficiente
para interferir com o funcionamento social ou ocupacional. A disfunção é multifacetada e envolve a memória,
comportamento, personalidade, julgamento, atenção, relações proxêmicas, linguagem, pensamento abstrato e
outras funções executivas. O declínio intelectual é normalmente progressivo e inicialmente poupa o nível de
consciência.

Distonia cervical: distúrbio neurológico do movimento do pescoço por lesão nos gânglios da base. Provoca
contrações musculares sustentadas e involuntárias, podendo afetar outras partes do corpo.

Doença de Parkinson: doença neurológica degenerativa progressiva, caracterizada por tremor, que se torna
máximo durante o repouso; retropulsão, rigidez, postura estática, lentidão de movimentos voluntários e uma
expressão facial tipo máscara. Os sinais patológicos incluem perda de neurônios contendo melanina, na
substância negra e outros núcleos pigmentados do tronco cerebral. Os Corpos de Lewy estão presentes na
substância negra e locus coeruleus, mas podem também ser encontrados em uma condição relacionada (Doença
Difusa dos Corpos de Lewy), caracterizada por demência combinada com graus variados de parkinsonismo.

Encefalopatias, cerebropatias, doenças do encéfalo: nome genérico das afecçõoes que afetam o cérebro.
São especificadas de acordo com o órgão ou sistema que as origina (encefalopatia hepática, encefalopatia
hipertensiva
, neoplasias encefálicas, encefalopatia metabólica, encefalopatia infecciosa etc.).

Epilepsia: transtorno caracterizado por episódios recidivantes de disfunção cerebral paroxística, devido a uma
súbita descarga neuronal excessiva e desordenada.
Os sistemas de classificação da epilepsia geralmente se
baseiam em (1) sinais clínicos dos episódios de ataques (ex. ataque motor), (2) etiologia (ex. pós-traumática), (3)
sítio anatômico da origem do ataque (ex. ataque do lobo frontal), (4) tendência em se alastrar para outras
estruturas no cérebro, e (5) padrões temporais (ex. epilepsia noturna).

Esclerose combinada da medula: doença da medula nervosa causada pela deficiência crônica de vitamina B12
ou por inalação de óxido nitroso. O quadro clínico começa com parestesias e fraqueza podendo atingir os quatro
membros num padrão simétrico. A evolução se caracteriza pela combinação de paraplegia, graus variados de
espasticidade e alterações na sensibilidade. O tratamento consiste na reposição de vitamina B12 e o prognóstico
está na dependência da gravidade do quadro e do tempo entre o início dos sintomas e tratamento.

Esclerose lateral amiotrófica ou doença do neurônio motor: doença degenerativa que atinge o sistema
nervoso, até o momento irreversível, caracterizada pela perda progressiva das atividades musculares, as quais
costumam iniciar com paresias e paraparesias, depois, paraplegia. Aparecem dificuldades de se locomover, de
ficar em pé por muito tempo, de comer, falar; de se movimentar, não consegue ficar de pé por muito tempo etc.

Esclerose múltipla ou em placas: doença auto-imune que afeta principalmente adultos jovens e é caracterizado
pela destruição de mielina no sistema nervoso central. Achados patológicos incluem múltiplas áreas bem
demarcadas de desmielinização por toda substância branca do sistema nervoso central. A evolução é marcada
por surtos com aparecimento de novos sintomas e agravamento dos já existentes. Manifestações clínicas incluem
perda visual, transtornos de movimentos extra-oculares, parestesias, perda dos movimentos corporais, perda da
sensibilidade,  fraqueza, disartria, espasticidade, ataxia e disfunção da bexiga. O padrão usual é o de ataques
recidivantes seguidos de recuperação parcial, porém formas agudas fulminantes e crônicas progressivas também
ocorrem.

Espasmo facial: contração em uma das hemifaces do grupo muscular inervado pelo nervo facial, geralmente por
compressão vascular na saída do tronco cerebral.

Estados confusionais: quadros clínicos relacionados com a alteração do grau de clareza da consciência, variando
desde o coma profundo (abolição da consciência), passando pela obnubilação (diminuição da clareza da
consciência) até a lucidez. Denomina-se delirium o quadro delirante que cursa com algum nível de alteração da
clareza da consciência, enquanto que o delírio ocorre sempre com lucidez de consciência.

Estenose da coluna cervical:   estreitamento do canal da coluna vertebral na região cervical; geralmente provoca
compressão das raizes nervosas determinando sinais e sintomas neurológicos, além de dor de intensidade
progressivamente maior.

Hérnia de disco intervertebral: protrusão total ou parcial do disco intervertebral com compressão das estruturas
vizinhas como nervos e canal medular.

Hidrocefalia: acúmulo excessivo de líquido cerebrospinal dentro do crânio que pode estar associado com
dilatação dos ventrículos cerebrais, hipertensão intracraniana; cefaléia; letargia; incontinência urinária e ataxia (e
em neonatos, macrocefalia). Esta condição pode ser causada por obstrução das vias do líquido cerebrospinal,
devido a anormalidades neurológicas, hemorragias intracranianas; infecções do sistema nervoso central; neoplasias
cerebrais; trauma craniocerebral e outras condições. A reabsorção deficiente do líquido cerebrospinal das
vilosidades aracnóides resulta em uma forma comunicante de hidrocefalia. A hidrocefalia ex-vácuo se refere à
dilatação ventricular que ocorre
como resultado da perda de substância cerebral após um infarto cerebral e outras
condições.

Hipertensão intracraniana (HIC) ou pseudo tumor cerebral: várias doenças podem causar o o aumento da
pressão intracraniana. Os sintomas mais frequentes de HIC são: cefaléia, alterações visuais, náuseas e vômitos.
Também podem ocorrer alterações psíquicas, paresias, inclusive a do VI par craniano provocando desvio do olho, e
tonturas. A observação de edema da papila no exame do fundo de olho é patognomônico de HIC.

Lesão do plexo braquial: O plexo braquial é o conjunto de nervos que partem da medula espinhal para inervar os
membros superiores. Durante o parto pode ocorrer acidentalmente a lesão dessas estruturas nervosas, cujos
sintomas dependerão da gravidade e da extensão da lesão: desde a parestesias localizadas até a paralisia total do
membro superior afetado, com a correspondente atrofia muscular.

Meningoencefalite: processo inflamatório das meninges e do encéfalo que pode ser causado por organismos
patogênicos que invadem o sistema nervoso central, toxinas e por doenças auto-imunes.

Miastenia gravis: doença auto-imune decorrente da produção de anticorpos que destroem os receptores da
acetilcolina das sinapses nervosas. A deficiência desse neurotransmissor bloqueia a transmissão neuro-muscular
levando à pela fraqueza muscular generalizada, principalente respiratória e nos membros superiores e inferiores. A
doença evolui por surtos cada vez mais graves de deficiência muscular até a paralisia completa, com episódios de
acidentes respiratórios.

Mielite transversa: processo inflamatório da medula, caracterizado pela desmielinização das vias motoras, com
comprometimento dos membros superiores e inferiores. A doença é geralmente monofásica, sendo que apenas
poucos pacientes apresentam um novo episódio da doença. Aproximadamente um terço dos paciente apresenta
uma boa recuparação, um terço se recupera moderadamente e um terço dos pacientes não apresenta nenhuma
recuperação.

Mielomeningocele: também conhecida como espinha bífida, é uma doença congênita, mais comum na região
lombo-sacra, e caracterizada pelo fechamento incompleto do canal vertebral, que pode levar à herniação da medula
espinhal na área afetada.

Neurofibromatose ou Doença de von Recklinghausen: é uma neurodermatose caracterizada pela formação de
tumores benignos (neurinomas), de tamanhos diversos, ao redor dos nervos e manchas café com leite, ambos
disseminados pelo corpo. Doença crônica, que pode evoluir com deformação de áreas corporais, foi retratada no
filme "O Homem Elefante".

Neurotoxoplasmose: forma cerebral da toxoplasmose.

Polineuropatia sensitiva de membros inferiores: é um processo degenerativa dos nervos que acarreta uma
distrofia muscular progressiva que compromete os movimentos do corpo. A maioria das polineuropatias evolui
lentamente e exibem sintomas motores e sensitivos distais, que progridem de maneira centrípeta. Os sintomas
mais comuns são dormência, formigamento e fraqueza, podendo chegar à perda total dos movimentos.

Paraplegia: perda severa ou completa da função motora nas extremidades inferiores e porções superiores do
tronco.

Paresia: diminuição da força muscular com perda parcial da motricidade. Quando acomete uma metade corporal
chama-se hemiparesia.

Parestesia:  sensações cutâneas subjetivas (ex., frio, calor, formigamento, pressão, etc.) que são vivenciadas
espontaneamente na ausência de estimulação.

Síncope: perda transitória da consciência e do tono postural causada pela diminuição do fluxo sanguíneo ao
cérebro (i.e., isquemia cerebral). A pré-síncope se refere à sensação de cabeça leve e perda da força que precede
um evento de síncope ou acompanha uma síncope incompleta.

Síndrome de Arnold Chiari: malformação descrita inicialmente pelo patologista alemão Hans Chiari em 1891 e
caracterizada pela herniação de estruturas cerebelares. Os sintomas variam conforme a disfunção da medula
espinhal cervical, compressão do tronco cerebral ou do cerebelo.

Síndrome do túnel do carpo:  O túnel do carpo é uma estrutura anatômica localizada entre o punho e o
antebraço pela qual passam tendões musculares e um nervo, o nervo mediano, cuja compressão provoca
parestesia (sensação de formigamento), dor e perda da força muscular para execuitar o movimento de preensão.

Síndrome cerebelar: série de sinais e sintomas decorrentes da paralisia parcial do cerebelo, estrutura cerebral
diretamente envolvida com o equilíbrio.

Síndrome psicorgânico cerebral: são os quadros de alterações mentais decorrentes de patologias orgânicas
cerebrais.

Siringomielia: formação de um cisto dentro da medula espinhal decorrente de traumatismo, tumor ou má-
formação congênita e cuja sintomatologia depende da localização do cisto. É freqüente a ocorrência de dores de
cabeça ou em outras regiões do corpo, perda da sensibilidade das extremidades e fraqueza ou rigidez dos braços
ou das pernas.

Tetraplegia: paralisia que atinge simultaneamente os quatro membros.

Vasculite cerebral: doença auto-imune, de origem desconhecida e caracterizada pelo surgimento de reações
inflamatórias disseminadas nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central.

 

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